DESMITIFICANDO A PRATICA DO TÊNIS

Agda Silva, Adm de empresas e tenista agdasilv@gmail.com

 

 

BRASIL OPEN 2009

René Araújo  Ribeiro é Advogado e tenista  renerib@ig.com.br

 

 

 

 

"If" - Nadal and Federer

José Estelita
Médico & tenista
jose-estelita@bol.com.br

No majestoso saguão de Wimbledon uma frase em local de destaque estampa a parede e chama atenção: "If you can meet with Triumph and Disaster and treat those two impostors just the same". (Se encontrando o triunfo e a desgraça conseguires tratar da mesma forma a esses dois impostores). A princípio pode parecer uma frase solta e sem sentido, mas não é. Ela retrata exatamente a reviravolta e o momento do tênis atual.


Voltemos a final de Wimbledon 2008, a maior final de todos os tempos, segundo John McAnroe. Pelo terceiro ano seguido Roger Federer x Rafael Nadal. Em 2006 Federer triunfa e ganha seu quarto título lá por 3 x 1. Em 2007 novamente triunfo de Federer por 3 x 2 e seu quinto título seguido. Nesses dois anos Nadal encarou a desgraça da derrota. Em contrapartida, em Roland Garros acumulava o tetra campeonato de 2005-08, tendo derrotado Federer na semifinal em 2005 e nas finais nos últimos três anos, sendo que em 2008, um humilhante 3 x 0 com direito a pneu. O triunfo e a desgraça se invertiam em Roland Garros.


A diferença: Nadal lida muito melhor com o fracasso, e ao mesmo em tempo que aumentava sua distância em relação a Federer no saibro, diminuía sua desvantagem na grama. Em 2008, o inevitável. Vitória de Nadal em Wimbledon por 3 x 2. Uma final épica. Seu primeiro triunfo em Wimbledon.


A primeira desgraça de Federer na grama inglesa foi insuportável. Arrasou-lhe o coração. Ao final do jogo, chorou abraçado a John McAnroe. E ainda não se recuperou. O maior tenista de todos os tempos foi a nocaute. Eliminado nas primeiras rodadas dos torneios seguintes, perdeu o posto e o longo reinado de número 1 do mundo justamente para Rafael Nadal que estreou no topo com a medalha de ouro olímpica.


Agora a frase supracitada faz todo sentido do mundo e Wimbledon já sabia disso há vários anos. Nadal também. Vamos esperar e torcer para que Federer aprenda também o seu significado. Ela faz parte do poema "If" de Rudyard Kipling. O mais impressionante é que Roger Federer e Rafael Nadal gravaram este poema em Wimbledon. Vejam o vídeo e se emocionem.


Uma medalha para cada um


José Estelita
Médico & tenista
jose-estelita@bol.com.br

Zeus, do alto do monte Olimpo, deve ter escrito pessoalmente o capítulo do tênis masculino da Olimpíada de Pequim 2008. Ninguém poderia imaginar o que aconteceu. De um lado Roger Federer que começou a Olimpíada de Pequim como número 1 do mundo, posto que ocupou e reinou por 4 anos. Do outro lado Rafael Nadal, que terminaria a olimpíada como número 1, independentemente do resultado obtido.


Como coadjuvante, Novak Djokovic, o tenista número 3 do mundo há um ano, que há pouco tempo pleiteou o posto de número 2 e foi devidamente colocado em seu lugar por Rafael Nadal. Agora, tentará tomar este lugar de Roger Federer. Só o tempo mostrará se ele é capaz.


E finalmente os impressionantes tenistas chilenos Nicolas Massú e Fernando Gonzáles, defendendo as medalhas de ouro de simples e duplas, ganhas em Atenas em 2004. Desta vez Fernando Gonzáles estava em melhor forma. E de quem seriam as medalhas em Pequim?
- De todos, respondeu Zeus.


Na simples, o impiedoso Rafael Nadal foi ganhando seus jogos até se encontrar novamente com Novak Djokovic na semifinal. Mas uma vez o melhor venceu. Agora Nadal tem dez vitórias contra quatro de Djokovic, em todos os pisos.
Do outro lado da chave, Federer não avançou. Só havia uma medalha de ouro em simples e Zeus já tinha determinado seu dono. Federer precisava de outra. Achou a força e a alegria que não tinha em Stanislas Wawrinka, e os suíços ganharam a medalha de ouro nas duplas. Agora Federer já tinha seu ouro.


Na disputa do bronze, Djokovic fez jus ao seu talento e ao seu posto e levou a medalha para a sérvia. Agora faltava a apoteose, a final olímpica de simples.


O Chile teve a honra de defender o título, desta vez com Fernando Gonzáles, que já tinha um ouro nas duplas e um bronze na simples em Atenas 2004. Mas a Espanha tinha seu Rei: Rafael Nadal, o Conquistador. E nada melhor que debutar no posto de número 1 do mundo com o ouro olímpico no peito, a maior glória do esporte mundial.
- Uma medalha para cada um. E vida longa ao Rei, finalizou Zeus

Paris, Roland Garros 2008 & a despedida do Guga

Agda Silva
Adm de Empresas e Tenista
agdasilv@gmail.com


“Os brasileiros enterram seus ídolos, os franceses idolatram para sempre”
  César Pingarilho é Engenheiro e Tenista
                                                                                                       

Foi questão de realização de um sonho. Conhecer Paris foi um desejo que alimentei por mais de dez anos, enfim a cada ano aparecia um obstáculo e minha viagem ficava para o próximo ano. Chegou 2008, firme e forte e na minha cabeça, eu já me via na França, quando eu fechava os olhos eu já estava na terra de Napoleão Bonaparte. A possibilidade de viajar se concretizou quando Gustavo Kuerten, por quem sou apaixonada, foi convidado para se despedir em Roland Garros. Assim deu tudo certo e a viagem estava consolidada.


Chegamos a Paris, no dia 23 de Maio, no deslocamento do Aeroporto Charles De Gaulle para o Hotel Campanile, eu percebia que eu estava numa cidade de muita cultura e de elevado grau de civilização. Sempre ouvi falar que tudo de bom gosto acontece em Paris e pessoalmente constatei esta realidade. Uma cidade onde vi pessoas de várias etnias, cada um com seus trajes típicos exibindo sua cultura de origem.


No Hotel Campanile localizado no bairro de Luis Blanc, conhecemos duas brasileiras de Mato Grosso do Sul que estão casadas com holandeses, e que estavam em Paris passando o final de semana. As duas foram unânimes em nos dizer que Paris é o que se tem de melhor na Europa.


Observei a construção magistral do Engenheiro Gustave Eiffel, cuja obra inicialmente os franceses não gostavam porque achavam que estava enfeando a sua megalopolis. Depois foi aquela satisfação maravilhosa de conhecer o Museu do Louvre, os meus olhos não acreditavam que estavam vendo o que artistas fizeram há séculos, com tanta perfeição e criatividade e deixaram para a Humanidade. O passeio sobre o Rio Senna foi algo indescritível, lindo e romântico. Conhecer a charmosa Avenue  Des Champs Elysées, o  Monumento Napoleônico Arc de Triomphe, a Eglise Sacrê Coeur de Monmatre e a Catedral de Notre-Dame de Paris  foi para mim algo deslumbrante.


Meu objetivo maior, em Paris, além de conhecer essa magnífica Capital Européia, foi ir a Roland Garros ver a despedida do Guga. Foi o que fizemos. Pegamos o metrô na Estação Luis Blanc, em frente ao Hotel em que estávamos hospedados, descemos na estação Jussie e fizemos baldeação em direção à estação Porte D.Auteuile para termos acesso ao  Complexo Tenístico mais charmoso e aconchegante que já conheci. Por coincidência a primeira vez que estive em Flushing Meadows, foi exatamente no final de agosto de 1997, quando Gustavo Kuerten havia acabado de vencer pela primeira vez Roland Garros. Fomos com um grupo de brasileiros para New York assistir o jogo do Guga contra o sueco Jonas Bjorkman, no stadium Arthur Ashe. Na primeira vez que estivemos em Roland Garros, ficamos pouco tempo, chegamos próximos do encerramento, mal deu tempo para fazermos o reconhecimento e algumas compras de souvenirs do torneio. Fiquei impressionada com a paixão dos franceses por Guga. Observamos que em frente ao muro em volta do Complexo Tenístico havia vários banners com fotografias de nosso ídolo e de outros tenistas famosos, a exemplo de Federer, Nadal, Djokovic entre outros.  Voltamos no sábado e tivemos a oportunidade de ver vários jogos de exibição entre eles: Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic x Yanko Tipsarovic além do espetacular jogo de duplas na quadra Suzanne Lenglen entre o francês brincalhão Henri Leconte & o iraniano Mansour Bahrami X Mats Villander & Jonas Bjorkman. Foi muito divertida a exibição desses gênios do tênis.


Visitamos o Museu Roland Garros que guarda relíquias preciosas do tênis, desde os modelos dos sapatos, roupas, a superfície da quadra, as camadas como são colocadas. Fotografamos duas paredes inteiras com vários tipos de raquetes, cada qual usada em sua respectiva época. Fantástico! Conheci mais de perto Jean René Lacoste (02 Jul 1904 – 12 de Out 1996) famoso jogador de tênis francês, empresário e inovador, seu apelido era "o crocodilo", e a espirituosa tenista francesa Suzanne Lenglen (24 de Maio 1899 - 4 Julho 1938). A divina como era conhecida, foi a primeira star internacional do tênis. Através das fotos pude constatar que ela era genial e muito espirituosa. Foi esse um dos motivos que ela mereceu um stadium com seu nome.


No domingo 25 de Maio foi o grande dia, o jogo de despedida de Guga contra Paul Henri Mathieu. Chegamos cedo na fila para comprarmos os ingressos e, além de nos divertirmos com seis garotos franceses que estavam na nossa frente e ardorosos admiradores do Guga, observei um detalhe interessante: várias pessoas em pé aguardando sua vez para comprar os bilhetes, lendo. Hábito comum entre os europeus, que não se vê em nossa Pátria. Os franceses lêem em todo lugar, nos metrôs, nos restaurantes etc.

Enquanto aguardávamos o horário para o jogo começar, fomos entrevistados pela televisão francesa e pela ESPN Brasil, fomos filmados e fotografados pelas câmaras de várias partes do Planeta. Eles nos pediram para sambar e, como Alexandre Marques estava de pandeiro em punho, foi o que fizemos, com Rita Santiago e Josa Aguiar, enquanto que eu, Sonia Requião, Tâmara e José Estelita sacudíamos a faixa alusiva ao Merci Guga!!! e a bandeira do Brasil. Enfim, a despedida de Gustavo Kuerten foi algo inesquecível, principalmente pela elegância dos tenistas em quadra, pelo espetáculo da torcida brasileira e dos torcedores franceses que fizeram questão de usar a mesma camiseta que estávamos vestindo em homenagem ao maior jogador brasileiro de tênis de todos os tempos.

Merci Guga!!!  Allez!!!

En las Olimpíadas. Nadal vs Federer

José Estelita.
Médico & tenista
jose-estelita@bol.com.br

Tenho visto agora que o Nadal mais que merecidamente irá ocupar o 1º lugar no ranking da ATP, alguns comentários, em sites especializados em tênis, assim como o seu, desmerecendo, de certa forma seu talento. “O obreiro venceu o virtuoso...a imposição da força sobre o talento”. Uma total injustiça incompreensível. Nadal deveria ser valorizado como exemplo para toda esta juventude, para nossos filhos, e principalmente para os filhos dos que o criticam. Um jovem que aos 17 anos já estava solto aos leões, neste mundo loucamente competitivo do tênis, enquanto 99,99% dos jovens daquela sua idade ainda deviam estar dependentes dos pais, freqüentando baladas, se divertindo. É claro que isto não é errado, eu também fui assim. Mas ele abdicou e abdica de tudo isso para ver seu sonho se tornar realidade. E agora se tornou.


Um cara que nunca desiste do jogo, por mais difícil e improvável que possa parecer a virada. Um cara que joga cada ponto como se fosse o último. Um cara que joga com uma determinação tática incrível, o sonho de qualquer treinador. É muito fácil hoje em dia se dizer: quer ser campeão? Jogue como o Nadal. Não sou professor de tênis, não sou profundo conhecedor da técnica, sou apenas um tenista de fim-de-semana, admirador do tênis, da disciplina, do talento, do Sampras, do Agassi, do nosso inesquecível Guga, do Nadal e do Federer. Há pouco tempo pudemos ver estes últimos três em ação em Roland Garros, na despedida do Guga.


Para mim, Federer é o melhor tenista da história e Nadal é melhor que ele. Difícil de entender, mas fácil de explicar. Na idade do Nadal, o Federer nem sonhava em ser número 1, não tinha ganho nem um Grand Slam sequer. O Nadal já ganhou 5 Grand Slams e 30 títulos no total. Em 2005 anda com 17 anos ganhou do Federer no primeiro jogo dos dois, e de lá para cá, aplicou uma enorme goleada no ex-número 1 do mundo: 18 vitórias contra 9 derrotas. Ou seja: de cada três jogos entre eles o Nadal ganhou dois. Será que só existe força em seu jogo? Por acaso o Sampras sacava tão fraquinho que ninguém pegava seu saque? Por acaso o Federer tem uma direita fraquinha? E a esquerda paralela do Guga também?


Em 2005 Nadal ganhou 10 títulos, incluindo ai 1 GS e 4 Master Series. Só não foi número 1 porque o fantástico Federer ganhou 11.  Durante estes três anos que foi número 2, acumulou pontos que em qualquer outra época, até na do Sampras, ele seria número 1. Tudo isso por causa do Federer. Quando se sentiu ameaçado pelo Djokovic, ganhou tanto dele que deixou bem claro quem era o melhor. O tênis teria sido muito monótono se na era Federer não tivesse Nadal, e vice-versa, assim como Prost e Senna.


Todos têm pontos fortes e fracos. O ponto fraco do Federer é Nadal. O de Nadal ainda vamos descobrir.

TÊNIS NAS OLIMPÍADAS
Por René Ribeiro
Advogado e tenista
renerib@ig.com.br

Antes de iniciar os comentários sobre o tênis nas Olimpíadas, não há como deixar de falar sobre a substituição da ponteira do ranking, pois, finalmente, o obreiro venceu o virtuoso, estabelecendo uma verdade atualmente inevitável, a imposição da força sobre o talento.


Lembro perfeitamente quando Boris Becker na década de oitenta apresentou um novo ritmo ao jogo, com seus saques violentos, deixando de lado a sutiliza que caracterizava o jogo. Atualmente Nadal é o seu melhor herdeiro, com seus golpes tortos, seguros, praticados com a monotonia de um robô, exceto por uma ou outra deixadinha na rede para alegrar o expectador que gosta do imprevisível.


Por praticar com maestria o tênis-força, e diante de um Federer cada dia mais distante desse tipo de jogo que mais valoriza a potência dos golpes de fundo, a ponto de quase se ver extinto o jogo de rede, acho que finalmente chegou a vez de Nadal permanecer no top por algum tempo, tendo apenas o Suíço no seu encalço, isso até quando tiver forças para incomodá-lo,  coisa entre dois ou três anos, no máximo.


Já como número um, assisti ontem a primeira partida de Nadal contra Starace. Foi um excelente duelo, com trocas de bolas de fundo fortíssimas e jogadas de categoria até então surpreendente do italiano com seus voleios vitoriosos, deixando o espanhol meio que sem acreditar no suadouro altamente desgastante logo na primeira rodada.


Apesar do placar de dois a um para Nadal, com parciais de 6/2 e 6/3, não foi nada fácil a primeira conquista do grande favorito para a medalha de ouro. É que as partidas de tênis ocultam no placar a realidade do ocorrido em quadra, quando às vezes um pneu esconde as vantagens e desvantagens disputadas ponto a ponto, centímetro a centímetro.


Acho que se Federer tiver absorvido com tranqüilidade a perda do trono que ocupou por longos anos, e como um imperador, se esconder no seu retiro para reunir as suas tropas e voltar para a batalha com mais força ainda para retomar o que lhe é de direito, só assim terá alguma chance de ganhar  a medalha dourada, e, de preferência, torcendo para não encontrar o ibérico na final, o que não é de todo impossível, pois ele agora é a bola da vez!